Já se passou muito tempo e ainda não tive tempo de analisar os dado fiscais da STN citados no meu último post. Eu não tenho tido muito tempo em geral para escrever aqui. Observando o histórico do blog, reparei que tenho escrito em média apenas 1 artigo por mês.
Para que a idéia não "morra", resolvi assumir então esse número como objetivo: escrever ao menos 1 vez a cada mês. Setembro já se foi, então vou tentar compensar com dois posts esse mês.
Não terei tempo de me aprofundar em política fiscal como eu queria, então vou aproveitar para escrever sobre outro tema que é fundamental para entender a conjuntura econômica e política: a execução da política monetária.
Não terei tempo de me aprofundar em política fiscal como eu queria, então vou aproveitar para escrever sobre outro tema que é fundamental para entender a conjuntura econômica e política: a execução da política monetária.
O BC é responsável pela emissão de moeda, i.e. colocar e retirar moeda de circulação na economia. A quantidade moeda está diretamente relacionada a atividade econômica e o nível de preço, de acordo com a teoria quantitativa da moeda (TQM):
M x V = P x Y, onde
M = quantidade de moeda
V = velocidade de circulação da moeda
P = nível geral de preço
Y = produto real
Essa é uma visão sintética do funcionamento da demanda agregada de uma economia. A visão mais detalhada busca separar o equilíbrio do mercado de bens (IS) do monetário (LM). Resumidamente, o primeiro é atingido pela interação entre poupança e investimento no mercado de fundos emprestáveis, enquanto o segundo é atingido pela interação entre oferta monetária e demanda por liquidez:
Y = C(Y) + I(i) + G + NX(Y),
M/P = L(Y,i), onde
C = consumo privado
I = investimento total
G = consumo do governo
NX = exportações líquidas
L = demanda por liquidez
As variáveis endógenas, isso é, aquelas determinadas pelo modelo, são o produto (Y) e a taxa de juros (i). As demais variáveis são exógenas, ou seja, determinadas fora do modelo.
Y = C(Y) + I(i) + G + NX(Y),
M/P = L(Y,i), onde
C = consumo privado
I = investimento total
G = consumo do governo
NX = exportações líquidas
L = demanda por liquidez
As variáveis endógenas, isso é, aquelas determinadas pelo modelo, são o produto (Y) e a taxa de juros (i). As demais variáveis são exógenas, ou seja, determinadas fora do modelo.
Ao invés de regular diretamente a quantidade de moeda, como faziam os BCs pelo mundo nos anos 70 e 80, identificou-se a regulação pela taxa de juros (o preço no mercado monetário) como mais eficiente. Assim, é possível alterar a curva LM para refletir essa nova realidade:
i=R(Y,πT), onde
i=R(Y,πT), onde
πT = meta para a taxa de inflação.
Essa nova curva (MP), de política monetária, reflete a escolha do BC por uma determinada quantidade de moeda (agora endógena) que equilibra a taxa de juros em um determinado nível, dado os seus objetivos de política - reduzir volatilidade do produto e da inflação. Essa versão é compatível com a regra de Taylor, no qual se supõe uma regra fixa pela qual o BC responde a desvios nessas variáveis.
No Brasil, o BC atua sobre uma taxa básica, a Selic, que é uma média de taxas pagas em operações de curto prazo com títulos públicos federais no mercado interbancário. Como essa é a principal fonte de captação de dinheiro dos bancos, a medida que essa taxa aumenta, fica mais caro obter recursos, que repassam em algum grau esse aumento para as taxas cobradas em seus empréstimos.
Essa nova curva (MP), de política monetária, reflete a escolha do BC por uma determinada quantidade de moeda (agora endógena) que equilibra a taxa de juros em um determinado nível, dado os seus objetivos de política - reduzir volatilidade do produto e da inflação. Essa versão é compatível com a regra de Taylor, no qual se supõe uma regra fixa pela qual o BC responde a desvios nessas variáveis.
No Brasil, o BC atua sobre uma taxa básica, a Selic, que é uma média de taxas pagas em operações de curto prazo com títulos públicos federais no mercado interbancário. Como essa é a principal fonte de captação de dinheiro dos bancos, a medida que essa taxa aumenta, fica mais caro obter recursos, que repassam em algum grau esse aumento para as taxas cobradas em seus empréstimos.
Assim, a atuação do BC atua sobre a oferta de crédito, que impacta o consumo e o investimento dos agentes econômicos (ou, em outras palavras, a demanda agregada da economia). Esse é o principal (mas não o único) canal da política monetária.
O objetivo da política monetária é administrar a demanda agregada e, em um regime de metas, atingir um determinado alvo para a taxa de inflação (definida pelo Conselho Monetário Nacional). As decisões sobre a taxa básica de juros são técnicas e orientadas para o objetivo de cumprimento da meta.
Acontece que o mercado bancário no Brasil é extremamente concentrado, o que faz com que aumentos das taxas de juros possam, teoricamente, ser repassados com mais facilidade ao consumidor final. No entanto, vale lembrar que esse setor é altamente regulado (pelo próprio BC), de modo que as instituições financeiras são obrigadas a competir em algum grau.
O fato de as taxas de juros no Brasil serem altas está relacionado a questões estruturais da economia brasileira, como o histórico de inflação elevada e endividamento público, baixa taxa de poupança e alta demanda por investimento, entre outros (ver artigo do BC, ou tese de mestrado recente sobre esse tema).
Enfim, o arcabouço para entender política monetária é esse. Em um próximo post, mais detalhe de como o Banco Central define e executa a política de metas para inflação e a discussão de autonomia x independência.
Enfim, o arcabouço para entender política monetária é esse. Em um próximo post, mais detalhe de como o Banco Central define e executa a política de metas para inflação e a discussão de autonomia x independência.







